domingo, 31 de janeiro de 2010

Lula afirma ter boa saúde, "Estou pronto para entrar em campo"



Márcio Fernandes/AE


'Vou continuar viajando e tenho a saúde perfeita', diz Lula
Presidente atribuiu crise de hipertensão ao cansaço e às poucas horas de sono; agora, ele volta a Brasília
Joana Matushita - Agência Estado


Após realizar exames, Lula afirma ter boa saúde


SÃO PAULO - "Estou pronto para entrar em campo", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na manhã deste sábado, em entrevista coletiva concedida antes de deixar o Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, com destino a Brasília. Bem-humorado, afirma que vai manter a agenda de viagens prevista antes da crise hipertensiva que teve quarta-feira em Recife, quando embarcaria para o Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça. "Vou continuar viajando e tenho a saúde perfeita", afirmou. "Parece que os exames estão perfeitos."

Lula atribuiu a crise de quarta-feira - sua pressão foi a 18 por 12 - ao excesso de cansaço e às poucas horas de sono. Mesmo dizendo que vai manter a rotina de viagens e compromissos, o presidente reconheceu que aumentará os cuidados com a saúde. "Vou melhorar a qualidade da minha dieta e da (parte) física", afirmou.

Sob a supervisão do cardiologista Roberto Kalil Filho, o presidente realizou ecocardiograma, tomografia das artérias, ultra-som do abdômen e da próstata, teste de função pulmonar e exames de sangue e urina. Os exames duraram três horas. "Ele está liberado para cumprir a agenda", afirmou o Kalil.

Na última quarta-feira, o presidente teve uma crise de hipertensão e acabou cancelando a viagem que faria a Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial. Na próxima semana, o presidente deve ter uma agenda mais tranquila. A recomendação é diminuir o ritmo. As assessorias vão tentar evitar atender a tantas demandas regionais, reduzindo os compromissos que ele tem cumprido nos roteiros pelo Brasil e no exterior.

Com isso, foi cancelada a viagem que Lula faria a São Paulo, na quarta-feira, quando ele iria a Paraisópolis e São Bernardo do Campo. Foi mantida, no entanto, a viagem ao Rio de Janeiro, também agendada para quarta-feira, quando o presidente participará da cerimônia de inauguração de um gasoduto em Macaé.


Veja também:
Assessor de Obama liga para saber notícias sobre saúde de Lula
Lugo e Uribe ligam para desejar melhoras a Lula
Internação de Lula repercute na imprensa internacional
Leia o que foi dito sobre o problema de saúde de Lula



Jornal O Estado de S. Paulo de 31 de janeiro de 2010 (Há 184 dias sob censura)

sábado, 30 de janeiro de 2010

Lula passa por check-up hoje e volta a Brasília



Lula passa por check-up hoje e volta a Brasília
Bateria de exames no Incor está prevista para começar às 8 horas e deve durar três horas
Tânia Monteiro e Ana Paula Garrido

Depois da crise de hipertensão que sofreu no Recife (PE) na noite de quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta hoje para Brasília, depois de fazer check-up, no Instituto do Coração (Incor), em São Paulo. A bateria de exames a que o presidente será submetido está prevista para começar às 8 horas e deve ter duração de três horas. A previsão é de que ele, em Brasília, passe o final de semana descansando.A agenda do presidente para a próxima semana foi alterada para reduzir o número de compromissos. A recomendação é diminuir o ritmo. As assessorias vão tentar evitar atender a tantas demandas regionais, reduzindo os compromissos que ele tem cumprido nos roteiros pelo Brasil e exterior.Com isso, foi cancelada a viagem que Lula faria a São Paulo, na quarta-feira, quando ele iria a Paraisópolis visitar rádios comunitárias e participar, em São Bernardo do Campo, de cerimônia de territórios da paz.Foi mantida, entretanto, a viagem ao Rio de Janeiro, também agendada para quarta-feira, quando o presidente participará da cerimônia de inauguração do gasoduto Cabiunas, em Macaé.


HABITAÇÃO


Também está confirmada a ida do presidente a Porto Alegre (RS), na sexta-feira, onde ele fará um sobrevoo para ver obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de habitação na região metropolitana da capital gaúcha. Também deverá participar da inauguração do Centro Nacional de Tecnologia Avançada.No final de fevereiro, estão previstas viagens internacionais para o presidente, começando pelo México, nos dias 22 e 23, com escalas em El Salvador, Cuba e Haiti. No dia 1º de março, Lula deverá participar da cerimônia de posse do presidente do Uruguai, José Mujica.


PRESSÃO CONTROLADA


No começo da noite de ontem, o médico-chefe da coordenação da Saúde da Presidência da República, Cléber Ferreira, esteve na casa do presidente Lula, em São Bernardo do Campo, e encontrou um presidente bem-humorado. Segundo assessores, Lula está bem. Sua pressão estava 11 por 7, quando recebeu a visita do médico.Em Jacutinga (MG), a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, garantiu que não há motivos para preocupação quanto à saúde do presidente. Ao dizer que se considera até mais frágil nesse quesito, Dilma brincou que, diferentemente de Lula, não pode se dar o luxo de não fazer caminhadas diárias para prevenir picos de pressão. "O presidente pode ficar sem caminhar, fazendo essa agenda que faz, e a pressão dele é 11 por 7", disse Dilma. "O presidente não é uma pessoa doente."A ministra, que passou a noite de quarta-feira no Hospital Português, em Recife, junto com o presidente, contou que, enquanto ela e outros membros da comitiva dormiam, Lula acordou cedo, visitou o hospital, tirou fotos com enfermeiras. E, quando se cansou de esperar, decidiu acordar os auxiliares. "Ele veio nos acordar, dizendo: "Oh pessoal, vocês acham que é para ficar dormindo, é?"" Dilma disse ter aconselhado o presidente a reduzir o ritmo da agenda daqui para frente. Ela sugeriu que, no caso de Lula ter uma semana com muitos compromissos, a semana seguinte seja mais tranquila.O assessor para Assuntos de Defesa dos Estados Unidos, Jin Jones, ligou ontem para o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, para saber notícias sobre a saúde de Lula. O telefonema, que durou cerca de 10 minutos, ocorreu a pedido do presidente norte-americano, Barack Obama.Segundo relato da assessoria do Planalto, Jin Jones, que já havia tentado falar com Garcia na quinta-feira, desejou pronto restabelecimento para o presidente.O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, e o assessor do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, também já tinham telefonado para São Bernardo do Campo para desejar melhoras para Lula.


FUTEBOL


Ontem, por volta das 19 horas, o presidente recebeu a visita de um amigo da época do sindicato. Juno Rodrigues da Silva, conhecido como Gigio, esteve no apartamento de Lula e levou uma cesta de frutas. A visita durou cerca de 20 minutos.Na saída, o amigo palmeirense contou que Lula está bem, "animado como na época do sindicato". Disse que Lula estava comendo uma pêra e assistindo futebol, "revendo um jogo da Copa de 78". Eles conversaram sobre o clássico de domingo, Palmeiras e Corinthians, e discordaram sobre o resultado. Cada um defendeu seu time.


Jornal O Estado de S. Paulo de 29 de janeiro de 2010 (Há 183 dias sob censura)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Lula passa bem após crise de pressão alta, diz médico



Presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumprimenta médico ao lado da ministra Dilma Rousseff em Brasília. Lula passou a noite em um hospital após crise de hipertensão em Recife.
REUTERS/Ricardo Stuckert/Presidential Office/Handout


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010 20:02 BRST


SÃO BERNARDO DO CAMPO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 64 anos, permaneceu durante toda a tarde desta quinta-feira em seu apartamento pessoal, após a crise de hipertensão da véspera, em que chegou a ser internado e recebeu medicamentos durante a noite em um hospital de Recife (PE), onde cumpriu forte agenda.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Lula recebe alta após crise de hipertensão no Recife



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparece a uma cerimônia de homenagem em Brasília. Lula recebeu alta nesta quinta-feira após ser internado brevemente num hospital de Recife por conta de uma crise de hipertensão. (Foto Arquivo Reuters)
REUTERS/Ricardo Moraes/Files 21/01/2010


Lula recebe alta após crise de hipertensão no Recife
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010


Por Natuza Nery
BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu alta nesta quinta-feira após ser internado na noite da véspera num hospital de Recife por conta de uma crise de hipertensão, informou a Presidência da República.
A agenda de Lula foi cancelada até o próximo domingo e o presidente seguirá para São Bernardo do Campo (SP) onde descansará nos próximos dias por recomendação médica.
Na base aérea de Recife, após receber alta, o presidente acenou para jornalistas e disse que estava bem.
Na quarta-feira, Lula cumpriu extensa agenda em Pernambuco e passou o dia sentindo-se indisposto com um incômodo no peito. Ele saiu mais cedo do jantar com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), por conta dessa indisposição.
Antes de embarcar para a Suíça, onde participaria do Fórum Econômico Mundial, o médico de Lula, Cleber Ferreira, recomendou que o presidente realizasse alguns exames antes de entrar no avião para uma longa viagem, segundo a assessoria de imprensa da Presidência.
Nesse momento, foi identificada uma pressão arterial alta, 18 por 12, quando, segundo fontes, a média do presidente é de 13 por 11. Lula foi levado imediatamente para o hospital Real Hospital Português, onde passou a noite e tomou diuréticos.
Segundo o médico, todos os exames realizados por Lula tiveram resultado normal, por isso o presidente teve alta nesta quinta-feira.
Assessores ligados ao presidente afirmaram que a crise de hipertensão sofrida por Lula se deveu a estresse, devido ao fato de o presidente viajar muito e descansar pouco. Eles não acreditam em nenhum outro problema mais grave.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, representarão Lula no Fórum Econômico Mundial, na estação de esqui suíça de Davos, onde o presidente receberia o prêmio "Estadista Global".

CIRO GOMES É O MELHOR CANDIDATO A SUCESSÃO PRESIDENCIAL, JÁ COMEÇA A ICOMODAR OS ADVERSÁRIOS E ALIADOS, afirmou o jornalista Vitor Santos

Foto: Agência Estado

Lula defenderá candidatura única em jantar com PSB, diz ministro
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010


BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defenderá nesta quarta-feira uma candidatura presidencial única da base aliada durante jantar com a direção do PSB, informou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.
O presidente tenta, assim, convencer o partido aliado a não lançar o deputado Ciro Gomes na disputa em benefício da pré-candidata do PT, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), tendo apenas uma frente contra o provável candidato do PSDB, o governador de São Paulo, José Serra.
O encontro ocorrerá no Recife, onde o presidente será recebido pelo governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos.
"Ele (Lula) acha que a gente tem que ter uma disputa polarizada, que temos que ter uma candidatura única do grupo da base em uma eleição do tipo quem sou eu e quem és tu", disse Padilha a jornalistas.
Apesar de ter transferido seu registro eleitoral do Ceará para São Paulo a pedido do presidente Lula, Ciro Gomes tem dito que não quer disputar o governo paulista, com apoio do PT local. Ele insiste em concorrer à Presidência da República e vem afirmando que PT e PSB haviam fechado um acordo para definir seu destino político em março.
Justificando a ofensiva de Lula, Padilha lembrou que o próprio governador de Pernambuco tenta evitar que partidos de sua coalizão tenham candidatos em outubro na eleição estadual.
"(Campos) tem tido um papel também lá em Pernambuco de unificar o conjunto de sua base e ser o candidato à reeleição de toda a base", argumentou.
O ministro disse ainda que outro assunto será tema do jantar: a pauta do Congresso e a participação do PSB nos esforços do governo para aprovar os projetos de maior interesse do Executivo.
(Reportagem de Fernando Exman)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

CIRO GOMES PODERÁ SER O FUTURO PRESIDENTE DO BRASIL


PT e PSB retomam negociações sobre destino de Ciro
PT e PSB retomam negociações sobre destino de Ciro.
Agência Estado - 27/1/2010 - 13h00

SÃO PAULO - Paralisadas desde o fim do ano passado, as negociações entre o Palácio do Planalto e o PSB para a eleição presidencial serão retomadas nesta quarta-feira, 27, em clima tenso. Dizendo-se irritados com a pressão petista para retirar o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) da disputa, líderes do PSB já difundem a ideia de que os aliados estão sendo desleais.

Já os colegas de legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se queixam da demora de Ciro em definir seu futuro político, amarrando a montagem do palanque da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no maior colégio eleitoral do País.

A tentativa de buscar uma solução para o imbróglio vai dominar o cardápio do jantar marcado para hoje no Palácio do Campo das Princesas, em Recife, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do PSB. Também participam o vice-presidente do PSB, ex-ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral, e o presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra.

O PSB insistirá no discurso de que o melhor é que a base aliada lance dois nomes da base. "A ministra Dilma Rousseff pode estar na frente hoje, mas em abril quem diz que não será o Ciro Gomes? Por isso apostamos na nossa candidatura", disse Campos, após conversa que teve com o presidente. Aliados avisam que Lula entrará em cena com o discurso de que a derrota de Michelle Bachelet, no Chile, prova que essa estratégia poderá custar a Presidência.

Abertamente, petistas optaram por manter o tom ameno na véspera do encontro. "Vamos aguardar com tranquilidade o desenrolar do jantar", disse Dutra. Nos bastidores, o sentimento que circula no PT é o de que não há mais tempo a perder esperando por Ciro, enquanto ele "passeia no exterior". O deputado esticou a folga de fim de ano e só retornou das férias esta semana.

O Planalto já dá como praticamente enterrada a tese de que Ciro poderia concorrer em São Paulo. Por enquanto, a ordem é não fazer nenhuma outra proposta, até que ele responda ao convite. Mas já circulam no PT fórmulas alternativas para buscar uma eleição plebiscitária entre Dilma e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB).


Diário do Comércio de 27 de jneiro de 2010

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

VITOR SANTOS presta homenagem a São Paulo


O jornalista Vitor Santos presta homenagem a São Paulo no seu aniversário, 456 anos, parabens São Paulo, e declara o seu amor pela Paulicéia Desvairada


"Amanhecendo - de Billy Blanco"


http://www.youtube.com/watch?v=JTmdVFEHyas

domingo, 24 de janeiro de 2010

Por Deus, tenham um blog!. diz papa aos padres



O papa Bento 16 olha durante audiência no Vaticano. Por de Deus, tenham um blog!, disse o papa Bento 16 aos padres católicos neste sábado, afirmando que eles devem aprender a usar novas formas de comunicação para espalhar as mensagens do evangelho.20/01/2010.
REUTERS/Tony Gentile


Por Deus, tenham um blog!. diz papa aos padres
sábado, 23 de janeiro de 2010


Por Philip Pullella
VATICANO (Reuters) - Por de Deus, tenham um blog!, disse o papa Bento 16 aos padres católicos neste sábado, afirmando que eles devem aprender a usar novas formas de comunicação para espalhar as mensagens do evangelho.
Em sua mensagem para a Igreja Católica no Dia Mundial da Comunicação, o papa, 82 anos e conhecido por não amar computadores ou a Internet, reconheceu que os padres devem aproveitar ao máximo o "rico menu de opções" oferecido pelas novas tecnologias.
"Os padres são assim desafiados a proclamar o evangelho empregando as últimas gerações de recursos audiovisuais --imagens, vídeos, atributos animados, blogs, sites-- que juntamente com os meios tradicionais podem abrir novas visões para o diálogo, evangelização e catequização", disse ele.
Os padres, disse ele, precisam responder aos desafios das "mudanças culturais de hoje" se quiserem chegar aos mais jovens.
Mas Bento 16 alertou os padres de que não tentem tornarem-se estrelas da nova mídia. "Os padres no mundo das comunicações digitais devem ser mais chamativos pelos seus corações religiosos do que por seus talentos comunicativos", disse ele.
No ano passado um novo site do Vaticano, www.pope2you.net, foi lançado, oferecendo um novo aplicativo chamado "O Papa se encontra com você no Facebook", e outro permitindo acesso aos discursos e mensagens do Papa nos iPhones ou iPods dos fiéis.
Bento 16 ainda escreve a maior parte de seus discursos à mão, em alemão, e seus ajudantes mais jovens ficam a cargo de colocá-los em conteúdo digital.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Gracejos de Serra, Dilma e Lula contrastam com semana de conflito



Gracejos de Serra, Dilma e Lula contrastam com semana de conflito


Um dia após o presidente ter xingado tucano, PT e PSDB resolveram pôr panos quentes na briga eleitoralFAUSTO MACEDO, EUGÊNIA LOPES e SILVIA AMORIMAo fim de uma semana tensa, marcada por confrontos, desafios e impropérios entre situação e oposição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador José Serra, pré-candidato do PSDB na corrida ao Palácio do Planalto, encontraram-se ontem em São Paulo, mas trocaram amabilidades e mostraram bom humor durante dois eventos, no interior do Estado.No primeiro encontro, em Itapira, onde participaram da inauguração de uma ala do laboratório farmacêutico Cristália, os dois divertiram e fizeram rir a plateia - políticos, executivos e funcionários da fábrica - com histórias sobre futebol. Lula até chamou o tucano de "meu governador, meu amigo Serra". Depois, sentaram-se à mesa para um almoço com a direção da Cristália.No segundo compromisso, em Campinas, onde foi assinado convênio entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), presidente e governador mantiveram o clima de cordialidade e afagos. Dessa vez, sob testemunho da ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, a candidata de Lula à sua sucessão e protagonista do choque político.Na terça-feira, durante festa do PAC em Jenipapo de Minas, no Vale do Jequitinhonha, ela afirmou que os tucanos planejavam a extinção do Programa de Aceleração do Crescimento. Era uma reação à entrevista do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), à revista Veja, na qual classificara o plano de "ficção".No dia seguinte, os tucanos reagiram ao discurso de Dilma. Guerra foi à réplica e a acusou de "mentir, omitir, esconder-se, dissimular e transferir responsabilidades". Na quinta-feira, durante a primeira reunião ministerial do ano, o próprio Lula chamou o presidente do PSDB de "babaca". Disse que o senador está "desconectado da realidade", só fala "bobagem" e não conhece o Brasil.Ontem, no entanto, como se tivessem combinado um cessar fogo, Lula, Serra e Dilma, ao menos em suas aparições públicas, evitaram alimentar o confronto. Depois de percorrerem as novas instalações - empreendimento de R$ 160 milhões - do laboratório de Itapira, ao lado do presidente da Cristália, Ogari Pacheco, o presidente e o governador chegaram juntos ao palanque no pátio tomado por 400 convidados.Serra deu a senha para um momento de descontração e amenidades quando disse que havia constatado, ao chegar, que é reduzido o número de palmeirenses na fábrica - o tucano é torcedor do Palmeiras. "Com isso já ganhei o dia, Serra", respondeu o presidente, que torce para o arquirrival Corinthians. "Nada é mais importante para um corintiano do que ver um palmeirense perceber que aqui tem tão pouco palmeirense."No último evento do dia, quando Lula e Dilma apareceram sozinhos, sem Serra, para a inauguração da sede do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados, na capital paulista, o silêncio permaneceu sobre o confronto. Em quase 30 minutos de discurso, o presidente não fez nenhuma citação ao episódio do bate-boca entre tucanos e petistas.Já Dilma, embora sem acusações diretas, retomou o debate de um dos temas que têm alimentado o tiroteio entre governo e oposição. "Se hoje somos respeitados é por ter retirado mais de 20 milhões de brasileiros da miséria e ter elevado a classe média a 31 milhões. Isso é o fator que nos diferencia. É isso que queremos continuar", disse. Em seguida, a ministra, sem citar nomes, questionou o discurso oposicionista do pós-Lula. "Eu quero dizer que muita gente está hoje discutindo o pós-Lula como se isso fosse um dia após o 31 de dezembro de 2010, quando a gente começa tudo outra vez. Não é verdade", disse. "Se hoje está em todos os jornais que podemos ser a quinta economia do mundo, para chegarmos a isso é preciso vontade política, que levou o presidente Lula a mudar este país que se a gente olha para trás não reconhece muito", emendou, para concluir que Lula havia feito a maior revolução do Brasil desde Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek.PANOS QUENTESNão só Lula, Serra e Dilma tentaram desanuviar o clima. A oposição como um todo preferiu não elevar o tom das críticas e pôs panos quentes. A estratégia dos oposicionistas é não bater boca com Lula e tentar manter em "nível alto" o debate eleitoral. "Quando ele (Lula) faz comentários de baixo padrão, não vou respondê-los no mesmo nível. Não é esse o nível da discussão política que um presidente da República deve manter", afirmou Sérgio Guerra, ao lembrar que Lula é conhecido por "não controlar seu vocabulário". "Não vamos ceder à tentação de ir para o mesmo nível do presidente Lula. O povo não entenderia isso. Cabe a nós manter a sensatez", concordou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), também considerou as declarações de Lula agressivas e desequilibradas. "Para quem tem uma aprovação de mais de 80% da população não faz muito sentido."



Jornal O Estado de São Paulo de 23 de janeiro de 2010 (Há 176 dias sob censura)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Lula reúne ministros, xinga tucano e defende campanha contra FHC


Lula reúne ministros, xinga tucano e defende campanha contra FHC
Presidente imprime foco eleitoral em reunião de equipe e diz que se empenhará por disputa plebiscitária
Vera Rosa

ORIENTAÇÃO - Embate com tucanos tomou boa parte do encontro entre o presidente Lula e seus ministros, que durou cerca de cinco horasBRASÍLIANa primeira reunião ministerial do ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom da disputa entre o PT e o PSDB e partiu para o ataque. Após dias seguidos de troca de insultos entre os dois partidos, Lula chamou ontem o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), de "babaca", disse que ele está "desconectado da realidade", só fala "bobagem" e não conhece o Brasil.A reação de Lula, de acordo com relato de ministros, foi uma resposta às alfinetadas de Guerra ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto. Em nota divulgada na quarta-feira, Guerra acusou Dilma de "mentir, omitir, esconder-se, dissimular e transferir responsabilidades". Antes, em entrevista à revista Veja, o tucano afirmou que o PAC é uma ficção e definiu Lula como "o último presidente a fazer política com as mãos sujas".Ao encerrar a reunião ministerial, na Granja do Torto, Lula disse que Guerra não conhece o Brasil e muito menos o Estado dele, Pernambuco. "O Sérgio Guerra é um babaca e está desconectado da realidade. Se saísse de casa e andasse em Pernambuco, veria as obras do PAC", insistiu. Foi além: afirmou que o tucano está isolado no PSDB e a oposição, sem discurso. "Eu sei o que é disputar eleição sem discurso", observou, ao lembrar suas campanhas de 1994 e 1998.O presidente avisou à equipe que vai se empenhar por uma disputa "plebiscitária" com o PSDB, que tem como pré-candidato o governador de São Paulo, José Serra. "Quero fazer a campanha do quem sou eu e quem és tu", comentou, numa referência ao confronto de projetos entre as administrações do PT e do PSDB. Em meio a críticas ao tucanato, Lula dirigiu mais uma farpa ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: disse que vai lançar a segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em março, para que seu sucessor não passe dificuldades como ele, em 2003."Não quero que meu sucessor encontre a situação que encontrei quando assumi a Presidência, em 2003: não tinha Orçamento para investir nem projeto pronto", afirmou ele, segundo o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.TERCEIRIZAÇÃOApesar da artilharia apontada para os tucanos, Lula pediu aos ministros que fujam da linha de tiro. Deixou claro, porém, que todos devem ter na ponta da língua números e obras do governo para a contraofensiva.Agora, a estratégia do comando da campanha petista será terceirizar o bombardeio contra Serra, Fernando Henrique e o PSDB, blindando a candidata, que na terça-feira entrou no bate-boca durante inauguração transformada em comício, no Vale do Jequitinhonha. Em nota lançada ontem, os dois presidentes do PT - o atual, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o eleito, José Eduardo Dutra - chamaram Guerra de "jagunço da política" e Serra de "hipócrita". "A Dilma é da paz. A guerra está lá no PSDB", alfinetou Padilha, fazendo um trocadilho com o sobrenome do chefe dos tucanos. "O presidente Lula orientou os ministros a não entrar em jogo rasteiro na campanha. Temos condições de fazer um debate de alto nível."A eleição de outubro consumiu boa parte da reunião, que durou cinco horas. Disposto a tratar da campanha, o presidente disse que Serra está em situação complicada, mas avaliou que, se ele desistir, passará a imagem de medroso.Lula reiterou que quer ver o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) disputando o governo de São Paulo, com o apoio do PT. Disse que a base aliada precisa estar unida na corrida ao Planalto. "Vou conversar com Ciro".O presidente garantiu que Dilma, gerente do PAC, ficará no cargo até o último dia permitido pela Lei Eleitoral, 3 de abril, e sugeriu a todos os ministros-candidatos que façam o mesmo. "Se alguém tiver dúvida, não deve falar comigo, porque vou convencer quem me procurar a não deixar o governo", brincou ele, ao contar que fez o ministro do Esporte, Orlando Silva (PC do B), desistir de se candidatar a deputado. FRASESLuiz Inácio Lula da SilvaPresidente"O Sérgio Guerra é um babaca e está desconectado da realidade. Se saísse de casa e andasse em Pernambuco, veria as obras do PAC""Quero fazer a campanha do quem sou eu e quem és tu""Não quero que meu sucessor encontre a situação que eu encontrei em 2003: não tinha Orçamento nem projeto"


Jornal O Estado de S. Paulo de 22 de janeiro de 2010 (Há 175 dias sob censura)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Lula ganha prêmio Estadista Global


Lula é Estadista Global
Inédito: Lula ganha prêmio Estadista Global.
Agências - 20/1/2010 - 21h58

Lula: homenagem por seus bem-sucedidos anos à frente do Brasil.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá o prêmio de Estadista Global do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), no dia 29. Esta é a primeira edição da homenagem, criada para marcar o aniversário de 40 anos do Fórum, de 27 a 31 de janeiro. A ideia é premiar o líder político que tenha usado seu mandato para melhorar a situação do mundo. "O presidente do Brasil tem demonstrado verdadeiro compromisso com todas as áreas da sociedade", disse o fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab.

"Estamos encantados que o presidente Lula retorne a Davos. Queremos fazer uma homenagem pela alta estima do mundo e por seus bem-sucedidos anos à frente do Brasil. Um país em constante crescimento e que será chave no futuro próximo", assinalou em entrevista coletiva Klaus Schwab, diretor executivo do Fórum Econômico Mundial (FEM).

A entrega do prêmio será feita pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, no dia 29, quando Lula discursará, seguido de um painel de discussão sobre o Brasil. O objetivo é debater os atuais condutores do crescimento do País e os desafios à sua frente.

Entre os participantes do painel estarão o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o copresidente do conselho de administração da Brasil Foods, Luiz Fernando Furlan, o presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young, e o vice-presidente do argentino Banco Hipotecario, Mario Blejer. Lula fará o encerramento do painel sobre o Brasil. "O presidente Lula é um exemplo a ser seguido para a liderança global", disse Schwab.
Além disso, haverá uma sessão dedicada também à América Latina e aos desafios que enfrenta a região.

Entre os chefes de Estado latino-americano presentes está o presidente do México, Felipe Calderón, o da Colômbia, Álvaro Uribe, e o do Panamá, Ricardo Martinelli.

Calderón vai centrar o tema das discussões na mudança climática e deve preparar a nova reunião da ONU sobre o assunto, no fim do ano, no México.

O presidente espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, participará da 40ª edição do Fórum como presidente rotativo da União Europeia e a inauguração do Fórum está a cargo do presidente Sarkozy.

"Pensamos que para celebrar nossos 40 anos, nada melhor que com o presidente da França, país com quem temos uma longa amizade", disse o diretor-executivo do Fórum.

Entre os temas atuais que serão discutidos em Davos está o terremoto do Haiti. "Dedicaremos uma sessão ao Haiti, Não pediremos dinheiro, mas que empresas e companhias presentes se comprometam, a longo prazo, com o crescimento do país. Queremos que ajudem a construir e dar estabilidade ao país", disse Schwab.

Desse encontro participará o enviado especial da ONU para o Haiti, Bill Clinton, e Helen Clark, diretora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

O tema geral do Fórum é: "Melhorar o estado do mundo: repensar, redesenhar, reconstruir". "O mundo mudou. Em 2008, houve uma crise econômica; em 2009, uma crise financeira; o perigo é que em 2010 haja uma crise social. Vamos analisar o que deve ser feito para evitá-la. Não temos de tomar decisões, mas sim sugerir os caminhos", disse Schwab. No total, Davos reunirá, este ano, mais de 2,5 mil pessoas de mais de 90 países.


Diário do Comércio de 21 de janeiro de 2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Zilda Arns, nossa verdadeira primeira-dama


Zilda Arns, nossa verdadeira primeira-dama
A pessoa Marisa merece ser respeitada, mas seria puxa-saquismo reconhecer nela, no papel de primeira-dama.
Luiz Oliveira Rios - 17/1/2010 - 19h45

José Cordeiro/AE
Num dos antigos e belos salmos atribuídos ao Rei Davi está escrito: "A quem honra, honra; a quem glória, glória!" – depreendendo-se dessa expressão que devemos reconhecer os feitos de quem os realizou de fato e de direito.

A internet está repleta de mensagens duras contra a primeira-dama Marisa. Em uma delas, ela aparece numa foto (com o rosto cheio de botox, parecendo irmã gêmea de Marta Suplicy) e sendo condecorada por causa de "relevantes" serviços prestados ao Brasil. Quais são eles, ninguém sabe, ninguém viu. Talvez sejam "serviços super secretos" ...

O vestido vermelho que ela usava na ocasião talvez tenha servido para disfarçar-lhe o rubor das faces, pois é impossível que no seu íntimo um fio de voz não lhe segredasse naquele instante: "Você não merece essa honraria!"


A pessoa Marisa merece ser respeitada, mas seria puxa-saquismo reconhecer nela, no papel de primeira-dama, quaisquer atributos que mereçam sequer um "muito obrigado!". Muito obrigado por nada.

Triste Brasil que enaltece as futilidades! Vergonhosa mídia que, com as exceções de praxe, dá espaço às patacoadas de "otoridades", deslumbradas por cargos efêmeros, que lhes foram tão somente outorgados pelo povo. Este mesmo povo que padece e morre à míngua nas
filas dos serviços públicos de saúde, enquanto Dona Marisa vai às compras numa cidade qualquer, de um país qualquer, numa dessas inúteis visitas que o Sr. Inácio da Silva adora fazer, com todas as despesas pagas via cartões corporativos. Até quando?

Mas grande Brasil, que no céu ornado pela beleza ímpar do Cruzeiro do Sul ainda ostenta estrelas solitárias, cuja luz alegra o dia daqueles
que perambulam pelas trevas da insensatez humana...

Uma dessas estrelas magníficas, de luz própria, que nunca será tragada pelo buraco negro da estupidez humana, materialmente se extinguiu. De maneira trágica até, mas na nobreza da ação de servir ao próximo como a si mesmo – e não na vergonheira de viver e ostentar às custas de terceiros.


O seu luzir nos acompanhará para todo o sempre. Essa estrela tinha nome e uma simpatia esfuziante: Zilda Arns.P ara ela, Zilda Arns,
a primeira-dama brasileira de fato e de direito, reconhecida – esta sim! – pelos relevantes serviços prestados ao Brasil; para ela, pois, os cidadãos brasileiros, do Oiapoque ao Chuí, não só tiram o chapéu, mas curvam-se num singelo agradecimento.


Não de súditos, mas de irmãos que se entrelaçam pelos fios de ouro da dignidade, que deve (ou deveria) construir todos os relacionamentos, sejam eles pessoais, comerciais ou políticos. (Infelizmente, no Brasil, são os fios podres da corrupção e da desfaçatez que vêm tecendo a rede social urdida na mentira).

A estrela Zilda Arns, como matéria, se desfez; mas a sua luz, de plasma celeste, não se desfaz, nem jamais se apagará, muito pelo contrário:
materializar-se-á na memória de cada brasileiro, ao lembrar de seu sorriso franco e límpido a emoldurar-lhe a face sulcada com naturalidade pelo tempo – e que, por isso, a deixava cada vez mais bela como mãe e avó, que soube envelhecer com dignidade; mulher feminina (permitam-me o pleonasmo), mas com braço forte e simultaneamente terno, de ombros largos e meigos, postura ereta, mas sempre de joelhos diante de um Deus que não suporta as injustiças – principalmente as perpetradas por aqueles que ocupam cargos elevados, que podem fazer o bem, mas deliberadamente praticam o mal ("A quem muito é dado, muito será cobrado").

Convenhamos: seria até covardia decidir a quem – entre Marisa e a Dama Zilda Arns – o Brasil deveria reverenciar. A primeira-dama oficial pode ter recebido uma comenda do tipo "Ordem do Ipiranga", "Ordem do Cruzeiro" ou algo assemelhado, tanto faz como tanto fez – até porque ela nada fez mesmo.

Porém, a Dama Zilda Arns, muito além da Ordem disso ou daquilo, certamente se inscreveu na Ordem do Cosmos. E essa comenda é eternal, posto que ela, por suas palavras e seus atos, fez acontecer aqui na Terra um rosário de bem aventuranças para aqueles que se julgavam esquecidos pelos céus.

Empreendedora incansável, deixou de lado os dogmas dessa ou daquela religião para mergulhar nos ensinamentos reais Daquele que abraçava a todos com amor indelével – posto que a única religião verdadeira, como nô-lo ensinam as Sagradas Letras, é "visitar os órfãos, os doentes, os encarcerados e amparar as crianças e as viúvas".


E, nisso, Zilda Arns soube imitar na prática o seu mestre Jesus. Agora, certamente, muitos políticos, com caras (de pau) compungidas, vão tecer loas a ela. Não acreditemos neles. Eles, seus assessores e suas esposas continuarão a gastar o dinheiro que não lhes pertence. Continuarão sendo o que sempre foram: lobos em pele de cordeiros. Ou, numa paráfrase ao Cristo tão amado por Zilda Arns, muitos desses políticos são como "sepulcros caiados: limpos por fora, mas podres por dentro".

A quem, pois, as honrarias reais, e a quem devemos apagar da lembrança, posto que a própria História se envergonhará de mencionar?

Ave, Zilda Arns! Estarás para sempre na memória dos cidadãos brasileiros que reconhecem em ti todos os atributos de uma verdadeira Dama – quiçá de Rainha! Descanse em paz!

Luiz Oliveira Rios é orientador de estratégias empresariais oliveira.rios@hotmail.com

DC

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Líder judeu de Roma pressiona papa sobre "silêncio" de Pio 12

REUTERS/Max Rossi

Papa Bento 16 e o rabino Riccardo Di Segni na principal sinagoga de Roma

O presidente da comunidade judaica de Roma, Riccardo Pacifici, disse a Bento 16 que seu predecessor, papa Pio 12, deveria ter se manifestado com mais força contra o Holocausto para mostrar solidariedade aos judeus levados aos "fornos de Auschwitz".

Líder judeu de Roma pressiona papa sobre "silêncio" de Pio 12
domingo, 17 de janeiro de 2010

Por Philip Pullella

ROMA (Reuters) - Um líder judeu italiano disse ao papa Bento 16 neste domingo que seu predecessor papa Pio 12 deveria ter se manifestado com mais força contra o Holocausto para mostrar solidariedade aos judeus levados aos "fornos de Auschwitz".
Os comentários do presidente da comunidade judaica de Roma, Riccardo Pacifici, foram feitos durante a primeira visita do papa à sinagoga de Roma e estão entre os mais explícitos já feitos por um líder judeu em público a um papa.
"O silêncio de Pio 12 antes do Shoah ainda machuca porque alguma coisa deveria ter sido feita", disse Pacifici ao papa, usando a palavra hebraica para o Holocausto.
"Talvez isso não tivesse impedido os trens da morte, mas teria mandado um sinal, uma palavra de extremo conforto, de solidariedade humana, para aqueles nossos irmãos transportados para os fornos de Auschwitz", disse ele.
A visita, a terceira de Bento 16 a um templo judaico desde que se tornou papa em 2005, dividiu a comunidade judaica italiana após ele ter dado continuidade ao processo de santificação de Pio 12 no mês passado. Muitos judeus dizem que Pio, que foi papa de 1939 a 1958, não fez o suficiente para ajudar os judeus que enfrentavam a perseguição da Alemanha nazista.
Em seu discurso ao papa, Pacifici prestou homenagem aos católicos italianos, padres e freiras que viveram durante a guerra, e disse que seus esforços fazem o "silêncio" de Pio doer ainda mais.
O Vaticano mantém que Pio 12 não se silenciou durante a guerra, mas que ele preferiu trabalhar nos bastidores, preocupado de que a intervenção pública pudesse piorar a situação tanto para os judeus quanto para os católicos na Europa em guerra.
Em resposta a Pacifici, Bento 16 defendeu as ações da Igreja Católica para ajudar os judeus durante a Segunda Guerra, dizendo que o Vaticano "agiu de maneira discreta e escondida".
"A própria Sé Apostólica forneceu assistência, muitas vezes de uma maneira escondida e discreta", disse Bento 16 em seu discurso na sinagoga.
Bento 16 foi recebido por líderes judeus internacionais e de Roma ao chegar na sinagoga às margens do rio Tibre, perto do Vaticano, para começar a visita de duas horas.
Antes de entrar no templo, líderes judeus mostraram ao papa uma placa lembrando a deportação de judeus romanos pelos alemães em 16 de outubro de 1943, e outra em homenagem a um menino de dois anos morto em um ataque armado na sinagoga em 1982.
A visita vem 24 anos após o papa João Paulo ter se tornado o primeiro papa em quase 2 mil anos a entrar em uma sinagoga e chamar os judeus de "nossos amados irmãos mais velhos".
Grupos judaicos reagiram com raiva no mês passado, quando Bento 16, um alemão que participou da Juventude Hitlerista e do exército alemão enquanto adolescente durante a Segunda Guerra Mundial, aprovou um decreto reconhecendo as "virtudes heroicas" de Pio 12. Pelo menos um rabino e um sobrevivente do Holocausto boicotaram a visita.
Os dois passos remanescentes à santidade de Pio são a beatificação e a canonização, que podem levar muitos anos. Grupos judaicos querem que o processo seja congelado até que os arquivos do Vaticano sejam abertos a estudiosos.
(Reportagem de Philip Pullella)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Relembre a trajetória da missionária Zilda Arns

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1190559-7823-RELEMBRE+A+TRAJETORIA+DA+MISSIONARIA+ZILDA+ARNS,00.html

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Zilda Arns e o soro caseiro que salvou milhares de crianças


Nilton Fukuda/AE - 14/05/2007

Zilda Arns e o soro caseiro que salvou milhares de crianças
Médica pediatra sistematizou ações básicas de saúde responsáveis em reduzir a mortalidade infantil
José Maria Mayrink, de O Estado de S.Paulo

Zilda Arns, durante visita do papa ao BrasilSÃO PAULO - Se os homens fecham as janelas, Deus abre uma porta - assim pensou a médica Zilda Arns Neumann, depois de conversar com o cardeal d. Paulo Evaristo Arns, um de seus 12 irmãos, que lhe telefonara para perguntar se aceitava empreender uma obra capaz de salvar milhões de crianças. Pediatra e sanitarista, viúva e mãe de cinco filhos, ela estava encostada atrás de uma mesa da burocracia da Secretaria de Saúde do Paraná, após 23 anos de trabalho - os últimos 13 como diretora de Saúde Materno - Infantil do Estado, em Curitiba. Coisas da política, numa hora de mudança de governo, punição para uma funcionária dedicada que não tinha ideologia nem filiação partidária.

Veja também:
A última campanha de Zilda

D. Paulo, então arcebispo de São Paulo, ligou para dar um recado do secretário-executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), James Grant, com quem acabara de se encontrar em Genebra, na Suíça. "Por que a Igreja Católica, que tem tanta influência nas camadas mais pobres da população, não faz uma campanha contra a desnutrição?", propôs Grant, dispondo-se a financiar a obra, se Dom Paulo quisesse começar por sua arquidiocese. O cardeal argumentou que não teria tempo para tal empreitada, mas sugeriu o nome da Dra. Zilda.

"Tenho uma irmã que é especialista na área e pode fazer isso", respondeu o cardeal e imediatamente levou a proposta adiante. "Não tenho grande mérito, a não ser o de aceitar a ideia", disse d. Paulo 20 anos depois, como se sua participação tivesse parado aí. Não parou. Foi ele também quem indicou o nome do então arcebispo de Londrina, d. Geraldo Majella Agnelo, para ajudar na organização de um projeto para reduzir a mortalidade infantil que se transformaria no ano seguinte, setembro de 1983, na Pastoral da Criança. Foi um trabalho árduo que a Dra. Zilda iniciou em casa, numa noite de vigília e oração.

Começou conversando com os filhos na cozinha, onde se reunia com eles antes de irem dormir, para tomar uma vitamina e contar as coisas do dia. "Dom Paulo me telefonou e a mãe vai preparar hoje à noite um projeto que vai salvar milhões de crianças no Brasil e no mundo", disse a Dra. Zilda, explicando o que pretendia fazer. Tomou um café preto para espantar o sono, pediu que Deus a ajudasse - "Vinde, Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis" - e se pôs a meditar sobre aquele trecho do Evangelho que narra o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. "Se Jesus mandou que seus discípulos dessem de comer, eles mesmos, ao povo que estava com fome, achei que, em vez de ficar dependendo do governo, nossas famílias deviam se organizar para cuidar de seus filhos."

A experiência que a pediatra e sanitarista havia acumulado na assistência à população carente do Paraná valeu muito nessa hora. A Dra. Zilda achou que poderia construir seu projeto em cima das cinco ações básicas de saúde que, ela sabia, eram responsáveis pela redução da mortalidade infantil. Essas cinco ações são a saúde da gestante, o aleitamento materno, a vacinação, o soro caseiro e o controle do peso. Bem de acordo com o que queria o Unicef, pois James Grant estava entusiasmado com a eficácia do soro caseiro - duas medidas de açúcar e uma de sal, misturadas num copo d'água - que estava salvando milhares de crianças desnutridas em Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo. O segredo de tudo seria a solidariedade, o trabalho comunitário, envolvendo povo, governo e igrejas num esforço comum.

"Se a gente mapear as comunidades e descobrir lideranças que pudessem ser preparadas para trabalhar nas ações básicas, sem gastar dinheiro, para fazer bem aos vizinhos, em pouco tempo elas se multiplicariam, de família em família, num exército de voluntários", assim pensou a Dra. Zilda, em sua noite de vigília. Tudo no espírito da fraternidade cristã, sem interesse político ou qualquer tipo de discriminação, abrindo-se as portas para quem quisesse participar. Os colaboradores voluntários trabalhariam com a orientação de coordenadores, que lhes ensinariam o que é reidratação oral e a importância do aleitamento materno, mostrando que o soro caseiro é um santo remédio para diarreia e que muitos bebês se salvariam, em vez de morrerem antes de três a cinco meses de idade, só pelo fato de mamar no peito.

Florestópolis

Escolheu-se então o município de Florestópolis - 14.700 habitantes, 73% deles trabalhadores bóias-frias - para a implantação do projeto. Situado a 80 quilômetros de Londrina, arquidiocese de d. Geraldo Agnelo, que poderia acompanhar tudo de perto, era o campo ideal. Foi uma escolha acertada, pois em pouco tempo a mortalidade infantil de Florestópolis, que era de 127 por mil, baixou para 28 por mil. O diretor do Unicef em Brasília, o indiano Jabole Mathai, ficou impressionado com o resultado. Mandou um observador, o médico peruano Heron Lechtig, checar como havia acontecido o milagre e prometeu recursos para levar a obra adiante. A ajuda vinha na hora certa, pois se lutava com muita dificuldade, a Dra. Zilda viajando de ônibus ou pegando carona, entre Curitiba e o interior, para montar o projeto.

"Florestópolis era o fim do mundo, tinha o maior índice de mortalidade infantil do Estado e vivia sob a influência de uma usina de açúcar de Porecatu que pagava os bóias-frias com vales que eles tinham de gastar no mercado da fazenda, comprando coisas de que não precisavam", lembra d. Geraldo Agnelo, atualmente cardeal-primaz de Salvador e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). "Os fazendeiros não queriam que o bispo fosse fazer crismas em suas terras, propunham que as crianças fossem levadas à sede do município". d. Geraldo ia assim mesmo, ainda que estivesse chovendo e tivesse de caminhar a pé. Florestópolis nem padre tinha, era uma freira, Irmã Eugênia Piettà, quem dirigia a paróquia.

A participação de Irmã Eugênia foi providencial. Ela entrou de repente na sala, sem que ninguém a esperasse, quando a Dra. Zilda estava discutindo o projeto com d. Geraldo em Londrina, ainda sem saber como mobilizar o povo de Florestópolis. Ficou encantada com a ideia e saiu com o compromisso de convidar umas 20 pessoas, os futuros líderes, para uma reunião marcada para uma tarde de sábado. d. Geraldo celebraria uma missa na Matriz de São João Batista, a Dra. Zilda explicaria o que se pretendia fazer. A igreja lotou. Quando a médica perguntou quem queria que o projeto fosse para frente, todo mundo levantou o braço. Decidiu-se então dividir o município em comunidades por quarteirão e ver quem poderia visitar as famílias, casa por casa, para o planejamento inicial. A ideia era descobrir onde havia gestantes e crianças de até seis anos, anotar o endereço e escolher os voluntários que pudessem começar o trabalho.

Cruzes brancas

"Tem política? Se não tem, estou dentro", entusiasmou-se o professor Romeu Edson Paulino, diretor do colégio da cidade, disposto a colaborar, ele e sua mulher Idalina, na guerra contra a mortalidade infantil. "Sofremos muito aqui - eu, Irmã Eugênia e Irmã Ana Maria - porque os fazendeiros nos proibiam de entrar em suas terras, imaginando que fôssemos de algum movimento subversivo", lembra o professor. Fizeram um levantamento das doenças e publicaram fotos do cemitério, onde dezenas de cruzes brancas marcavam a área em que as crianças eram sepultadas, uma prova de que a mortalidade infantil era grande. O governador José Richa foi a Florestópolis por causa desse "escândalo", prometeu um desconto na conta de água para as 130 hortas comunitárias que o projeto estava construindo, mas não deu nada.

Eunice Vicente Cardoso, que participou da primeira reunião com a Dra. Zilda, disse que a cidade parou uma semana para o treinamento dos líderes. "Houve muita dificuldade, pois o povo não aceitou bem no começo, porque a gente perguntava sobre os hábitos da família, salário e renda, parecendo indiscrição", disse a futura coordenadora do Setor São José, onde ela pesava as crianças debaixo de uma árvore na Rua do Meio. Era assim: os voluntários instalavam balanças em galhos de árvores nos quintais e ali promoviam encontros para ensinar as mães a cuidar de seus filhos. "Não era fácil, porque queriam alguma coisa em troca", contou a assistente social Maria Alexandrina Vargas Scalassara, outra pioneira, de Londrina, que também participou da primeira reunião. Os bóias-frias dependiam de ajuda, pois eram mão-de-obra que só tinham serviço durante a safra, seis meses por ano.

Quando a Dra. Zilda voltou a Florestópolis, um mês após o lançamento do projeto, os líderes já eram 76, quase todos funcionários públicos, principalmente professoras. "Era muita gente, mas não dispensei ninguém, para não desanimar", disse a fundadora da Pastoral da Criança, que então dividiu os voluntários em cinco grupos, cada um encarregado de uma ação básica. Com a ajuda de técnicos da Secretaria da Saúde, a pediatra e sanitarista distribuiu apostilas para orientação dos primeiros coordenadores, que se reuniram na creche das irmãs Eugênia e Ana Maria.

"Nossa cidadezinha deu exemplo de garra e de força, mostrando que o povo se une nas horas difíceis", observou Eunice, entusiasmada com os frutos colhidos no trabalho comunitário. "As pessoas aprenderam a administrar a casa e eu, que era do lar, me abri para outros cursos, me beneficiei com palestras, fui funcionária da Associação de Pais e Amigos do Excepcional (Apae) e agora, já avó, estou estudando magistério".

Prego na panela

Como coordenadora de setor, Eunice convidou outras mulheres, entre elas a professora Neuza Souza Carnelossi, que havia participado da primeira reunião e trabalhou dez anos na Pastoral da Criança. "Não amamentei meus dois primeiros filhos, mas a pastoral salvou Mariana, que nasceu depois e não aumentava de peso, porque tinha problema de refluxo urinário." Neuza deixou a Pastoral da Criança, mas continua com outras atividades da paróquia, como evangelizadora e ministra da Eucaristia.

Ela e o marido, Walter Carnelossi, ajudavam trabalhando em casa, fazendo mistura de casca de ovo, folha de mandioca, farelo de arroz, farinha de trigo, pó de semente e soja, para reforçar a dieta de crianças desnutridas. Mães gestantes com anemia tomavam sopa cozinhada com um prego enferrujado na panela - uma maneira de garantir o ferro que faltava no sangue. Walter aprendeu a fazer leite de soja e mais tarde ajudou a produzir leite, farinha e sopa com a vaca mecânica que Florestópolis recebeu para o projeto.

"Comi muita farinha com farelo sem saber", recorda Maria Alexandrina, para mostrar como a mistura se incorporou de vez ao cardápio da Pastoral da Criança. Era uma alimentação alternativa, fruto da inventividade de quem lutava, sem muitos recursos, para combater a desnutrição.

Dezenas de crianças se salvaram em Florestópolis e municípios vizinhos com a ajuda da Pastoral da Criança. Uma delas foi Denise Guimarães, que aos 16 anos está fazendo o segundo ano do ensino médio e se preparando para o vestibular de Odontologia.

"Eu estava grávida quando cheguei de Maringá e contei para Eunice que, como achava que o leite era fraco, havia amamentado pouco o primeiro filho, Evandro", lembra Cleusa Lopes Guimarães, mãe de Denise e atualmente coordenadora de setor. Eunice acompanhou a gestação e, quando a menina nasceu, incentivou Cleusa a amamentar.

Denise mamou no peito até os dois anos de idade.

Pastoral centralizada

Vinte anos depois, Florestópolis - 12.398 habitantes, pelo último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - melhorou bastante, embora continue enfrentando problemas sociais, incluindo invasões de terras e um assentamento. "Os bóias-frias sofrem mais no período da entressafra", diz o padre Renato Colbert Bertin, há poucos meses na cidade.

Ao assumir a paróquia de São João Batista, ele confiou à Irmã Nelcy de Fátima Morais a coordenação da Pastoral da Criança, que em sua avaliação estava "meio lenta e muito centralizada". A Congregação das Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, à qual Irmã Nelcy pertence, dirige atualmente o colégio onde Irmã Eugênia Piettá, das Servas da Caridade, fez as primeiras reuniões da pastoral.

As coisas iam caminhando bem no segundo semestre de 1983, quando a Igreja decidiu transformar em Pastoral da Criança o projeto de redução da mortalidade infantil. O exemplo de Florestópolis suscitou iniciativas semelhantes em São Paulo - onde o então bispo auxiliar Dom Luciano Mendes de Almeida repetiu a experiência na região episcopal do bairro de Belém - e, logo em seguida, no Rio Grande do Sul.

A nomeação de d. Geraldo Majella Agnelo para a Comissão Episcopal de Pastoral (CEP) facilitou o processo, pois ele viajava com frequência a Brasília, onde tinha contato não só com outros bispos da CNBB mas também com a direção do Unicef. Foi do arcebispo de Londrina a ideia de chamar de pastoral o projeto iniciado pela Dra. Zilda.

Dom Geraldo fala das dificuldades que enfrentou:

"Houve resistência, no começo, porque se tratava de uma experiência nova e não se tinha uma visão clara de como devia ser organizada. Alguns achavam que a Pastoral da Criança deveria fazer parte da Pastoral da Saúde, que é mais ampla. Outros temiam que uma colaboração com o governo fosse comprometer a autonomia da CNBB, se a Pastoral da Criança viesse a ser usada como bandeira política. Isso não aconteceu. A parceria com o Ministério da Saúde (principal financiador da Pastoral da Criança) não interfere nas motivações, metas e prioridades da ação da Igreja."

Todos contra Pastoral

A Pastoral da Saúde e a Pastoral do Menor fizeram uma mobilização geral contra a Pastoral da Criança, quando souberam que ela estava assinando um convênio com o Inamps, sigla do antigo Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social. "Alegavam que o convênio ia amarrar a CNBB, que não permitiria que a Pastoral brigasse por melhores condições de vida para os pobres ou contra a corrupção no governo", lembra a Dra. Zilda.

"Por que o Ministério da Saúde vai gastar tanto dinheiro em hospitais para tratar de doenças que nós prevenimos?", argumentou a coordenadora para convencer o superintendente do Inamps, Ézio Cordeiro, a financiar o projeto. Convenceu, contando para isso com o apoio de uma amiga, a educadora sanitária Sophia Sarmiento, da Fundação Sesp.

"Sugeri que a Pastoral da Criança fizesse parte de um grupo maior, porque já existiam pastorais que cuidavam da saúde, do menor, das prostitutas e, no caso do Paraná, a Pastoral da Mulher", disse o bispo de Imperatriz (MA), d. Affonso Felippe Gregory, responsável na época pelo setor social na CNBB. Não se chegou a um acordo e ele votou contra o projeto - foi o único voto discordante na Comissão Episcopal de Pastoral.

Vinte anos depois, Dom Gregory elogiou o trabalho. "A Pastoral da Criança se impõe hoje pela magnitude, pois está presente na vida humana nos momentos mais delicados, cuidando da mãe antes de a criança nascer, acompanhando o parto e, quando vem o bebê, dando o soro caseiro e a alimentação alternativa para atender mãe e filho". Na diocese de Imperatriz, o escritório da Pastoral da Criança fica ao lado da sala do bispo.

Enquadramento

Outro crítico foi o bispo de Jales (SP), d. Luiz Demétrio Valentini, que também defendia o enquadramento da Pastoral da Criança num esforço mais amplo. Temia consequências negativas de uma eventual submissão ao governo. Cedeu à argumentação da Dra. Zilda, porque "logo se percebeu que havia diferenças significativas de atuação e de inserção nas políticas públicas do Ministério da Saúde".

D. Demétrio lembra que houve momentos de tensão maior. Quando, por exemplo, outras pastorais sentiram constrangimento com manifestações de apoio ao governo de Fernando Henrique Cardoso. "Houve ambiguidades até em faixas, mas isso foi superado", disse o bispo de Jales. A Dra. Zilda, em sua opinião, tem o mérito de haver assumido a liderança.

Em meio a toda essa discussão, levantou-se a voz de d. Serafim Fernandes de Araújo, então responsável pelo setor de comunicação social na CNBB. "Os argumentos contra não são nada mais que ideologias", advertiu o então arcebispo de Belo Horizonte, hoje cardeal, cujo voto decidiu o futuro da Pastoral da Criança.

A CNBB acompanha todos os passos da Pastoral da Criança, um dos 11 organismos de seu organograma. O responsável por ela é Dom Aloysio José Leal Penna, arcebispo de Botucatu (SP), que preside no Conselho Episcopal de Pastoral a comissão encarregada também da família e da educação.

Se a Pastoral da Criança presta contas aos tribunais do dinheiro recebido do governo, submete também à Igreja a estratégia e os resultados de seu trabalho. A Dra. Zilda Arns nunca faltou a uma assembleia geral dos bispos em Itaici, no município paulista de Indaiatuba, para apresentar no plenário um relatório de suas atividades.

Presente em todos os Estados brasileiros, seus 203 mil voluntários atuam principalmente nas periferias das cidades e nos bolsões de pobreza da zona rural. Em sua área de atuação, a taxa de mortalidade infantil é 60% menor do que a da média nacional. A pastoral trabalha em todas as dioceses e em 61% de suas paróquias. Embora seja um organismo da Igreja Católica, ela age como movimento ecumênico, sem discriminação, aberto a pessoas de outras religiões. Na Amazônia, uma coordenadora é evangélica da Assembleia de Deus.

20 anos; 15 ministros

O Ministério da Saúde é responsável por 80% dos recursos - cerca de R$ 20 milhões. Os outros 20% vêm do Unicef, das dioceses e de convênios menores. Nesses 20 anos, não houve dificuldade com o governo, com nenhuma administração. A Dra. Zilda, que nesse tempo teve de se entender com uns 15 ministros da Saúde, manifesta gratidão particular a alguns deles.

Alceni Guerra, que foi ministro de Fernando Collor e é paranaense, deu muito apoio ao programa. "A Pastoral da Criança vai ser uma das prioridades do governo", ele prometeu e cumpriu a promessa, pois fez um substancioso convênio com o projeto. No governo de Itamar Franco, houve atrasos de verbas, que o ministro da Saúde, Henrique Santillo, não conseguia liberar

"Recorri então ao ministro da Fazenda, que era o Fernando Henrique, que liberou o dinheiro, revela a Dra. Zilda. A médica entrou no gabinete dele sem marcar audiência, apenas mandou avisar que a irmã de Dom Paulo Evaristo Arns queria falar por cinco minutos com ele. "Quando FHC assumiu o governo, fiquei muito feliz, porque, desde o primeiro convênio, os pagamentos eram feitos em dia".

O ministro José Serra era um entusiasta da pastoral, cuja sede visitou duas vezes em Curitiba. "Se o Brasil todo fala bem da Pastoral da Criança, quero ser o maior parceiro dela", disse Serra. Foi ele quem sugeriu ao presidente da República que apresentasse as candidatura da Pastoral da Criança ao Prêmio Nobel da Paz.

No governo de Luiz Inácio Lula da Silva, as verbas não foram ainda reajustadas, mas o pagamento está em dia. "Lula, que escancarou a fome no Brasil, um problema que talvez muita gente não conhecia, mandou o ministro Tarso Genro me convidar para participar do Conselho de Segurança Alimentar e do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social", disse a Dra. Zilda.

Ela aceitou o convite, embora não tenha muito tempo de assistir às reuniões, por causa de outros compromissos. Além de coordenar a Pastoral da Criança, a médica tem múltiplas atividades. Foi membro do Conselho Nacional da Saúde e dirigiu o serviço da Saúde Materno Infantil, do Ministério da Saúde. Engajou-se depois no Programa Fome Zero, ao qual manifestou um apoio crítico, com base em sua experiência anterior nessa área.

Aconselhou, por exemplo, o ministro José Graziano da Silva, do Ministério Extraordinário da Segurança Alimentar e Combate à Fome, a não exigir a apresentação de cupons ou de notas fiscais para uma família receber um auxílio. "Seria necessário nomear um batalhão de funcionários só para controlar isso, dinheiro jogado fora", argumentou a Dra. Zilda, apontando dificuldades especialmente na zona rural. Parece que convenceu, pois a ideia não foi adiante.

De Florestópolis para o mundo

Depois de se espalhar pelo Brasil, a Pastoral da Criança atravessou fronteiras para chegar a outros países da América Latina, África e Ásia. "Em Angola, comecei em 1994 um treinamento com 17 mulheres e hoje, menos de dez anos depois, há 2.500 angolanas capacitadas, trabalhando num programa igual ao nosso e atendendo a pelo menos dez mil crianças".

Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, México, Paraguai e Venezuela na América Latina; Guiné-Bissau e Moçambique na África; e Timor Leste e Filipinas na Ásia copiaram a receita com sucesso, sempre em benefício das populações mais pobres. O México levou a pastoral a comunidades indígenas - o que ocorre igualmente no Brasil. "Recebi também uma visita de ciganos, que são nômades, interessados em treinar líderes para cuidar das crianças", revela a Dra. Zilda.

A maioria dos 203 mil voluntários da Pastoral da Criança vem da própria comunidade. É gente que mora em favelas e palafitas, nos grandes bolsões de pobreza, onde a desnutrição ameaça e as doenças matam mais. Esses voluntários recebem a orientação de sete mil equipes de coordenação - profissionais, aposentadas e pessoas idosas, mas também jovens, todos muito animados e atuantes.

Sentem orgulho de vestir a camiseta da Pastoral, com a inscrição "para que todas as crianças tenham vida", o lema criado em 1983 por d. Geraldo Majella Agnelo - inspiração do Evangelho - quando o incipiente projeto de redução da mortalidade infantil começava a engatinhar no norte do Paraná. Todo mundo uniformizado, as reuniões para o Dia do Peso são uma festa. Quem vai uma vez não quer mais faltar.

"A mãe de Juliana, que mudou para um sítio, prometeu trazer a menina todo mês para a gente pesar", disse a coordenadora de setor Juracy Jesus dos Santos, em Florestópolis, preocupada com o risco de a mulher não voltar. Juliana, que chegou à Pastoral com peso baixo, quando tinha um mês e meio de idade (tem quase dois anos agora), é hoje uma criança sadia, porque seguiu direitinho a dieta da multimistura.

A Pastoral da Criança tem uma estrutura simples. Em sua sede, em Curitiba, trabalham 40 funcionários contratados. Dali, num belo casarão recebido em comodato do governo estadual - antes, era um orfanato de meninas - eles controlam o movimento, sempre em contato com os coordenadores em todo o País. O material de apoio sai das salas da Rua Jacarezinho, n.º 1691, bairro das Mercês, onde funciona a Coordenação Nacional.

Quase nenhuma burocracia. "Quando vêm os auditores e fiscais do Tribunal de Contas da União, espalhamos os documentos em cima de uma mesa grande para eles examinarem. Fazemos isso quase todos os meses e, graças a Deus, nunca tivemos problemas", disse Dra. Zilda. A inspeção era feita antes em Brasília, mas o trabalho foi descentralizado. Uma economista, um contador e dois estagiários cuidam dos convênios.

Técnicos, contratados pela média do mercado, preparam o material educativo, treinam os multiplicadores e acompanham as ações. Digitadores processam nos computadores as fichas manuscritas que chegam de todos os cantos do Brasil. Além do controle das cinco ações básicas, segredo da eficácia do programa, a Pastoral da Criança promove cursos de alfabetização de adultos, círculos bíblicos, encontros de reflexão, oficinas de avaliação...tudo na linha de evangelização da Igreja.

Comunicação

O Jornal Pastoral da Criança, com uma tiragem mensal de 250 mil exemplares e também disponível na Internet (www.pastoraldacrianca.org.br) registra o que o programa está fazendo, transmite as orientações da Coordenação Nacional e publica pequenas reportagens enviadas pelas comunidades sobre suas conquistas e suas dificuldades. Nem sempre há espaço para publicar tudo, mas nada fica sem resposta. Além de assinar uma coluna no jornal - Conversando com Você - a Dra. Zilda enviava cartas pessoais para animar as equipes.

A Coordenação Nacional produz também o programa semanal de rádio Viva a Vida, de 15 minutos, que é transmitido por 1.700 emissoras. Distribuído em fita cassete, ele é gravado em dois estúdios, para atender às diferenças regionais de linguagem - um em Curitiba, para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e outro em Teresina, para o Norte e Nordeste. Fala de temas como saúde, instrução, direitos e organização comunitária.

Antes de se mudar para a sede atual, a Pastoral da Criança funcionava na casa de Dra. Zilda, que tinha ali também seu consultório particular de pediatria. Meio apertado, mas deu para conciliar enquanto os colaboradores não eram tantos e não havia tanto material como hoje. Como a médica trabalhava também no serviço público, as coisas foram ficando cada dia mais complicadas, pois não havia tempo nem espaço para tudo.

"Meu consultório era quase uma extensão do posto de saúde, pois as pessoas batiam à minha porta a qualquer hora, às vezes até de madrugada", recorda a Dra. Zilda. Os pobres, principalmente os pobres, recorriam sempre a ela - o que significava 18 consultas de graça em cada 20. A situação ficou ainda mais difícil quando a coordenadora da Pastoral da Criança passou a viajar com mais frequência, com ausências de semanas seguidas. "Fico pouco em Curitiba, apenas alguns dias por mês".

De mãe para filho

Nelson Arns Neumann, que também é médico pediatra e assumiu a função de coordenador nacional adjunto, substitui a mãe durante as suas constantes viagens. Mergulhou de cabeça no programa, cujas atividades vem acompanhando desde a fundação - ele e os outros irmãos. Sempre seguiram tudo de perto, apoiando e dando palpites - o voluntariado em família.

Eram adolescentes e crianças, em 1983, quando a Dra. Zilda aproveitou a conversa, naquela noite em que fazia uma vitamina para eles na cozinha, para falar do telefonema de d. Paulo, o tio cardeal. Agora, Rubens é veterinário, Heloísa é psicóloga e Rogério é administrador de empresas. Sílvia, que também era administradora de empresas, morreu e deixou um filho, de três anos, que foi morar com a avó.

A família tem uma chácara, a 20 minutos do centro de Curitiba, que mãe e filhos compartilhavam, cada um em sua casa, como faziam os Arns em Forquilhinha, na colônia de imigrantes alemães de Santa Catarina, onde Zilda e seus 12 irmãos nasceram. D. Paulo, que costumava passar ali pelo menos uma semana de suas férias anuais, telefonava com frequência para matar a saudade dos parentes.

O cardeal pede também notícias da Pastoral da Criança. Sempre que pode, a Dra. Zilda o visitava em São Paulo, para trocar ideias e pedir conselhos.

Passavam horas conversando sobre a obra que sonharam e construíram juntos.


Jornal O Estado de São Paulo de 14 de janeiro de 2010 (Há 167 dias sob censura)
NOTA: O jornalista Vitor Santos agradece a Zilda Arns por todos os trabalhos realizados em prol dos menos favorecidos e necessitados, e presta sua homenagem a este anjo que veio à terra com uma grande missão cosolar os pobres e aflitos. Obrigado Zilda Arns, que Deus a conduza em suas mãos para morar em seu templo majestoso!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Lula se diz consternado e transmite pesar às vítimas do Haiti


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma reunião para discutir ações para o terremoto que atingiu o Haiti, Brasília, 13 de janeiro de 2010. Ele afirmou que se sente consternado com as consequências do terremoto que pode ter matado milhares de pessoas no país caribenho, principalmente em razão da presença de brasileiros que participam da força de paz da ONU no país.

REUTERS/Ricardo Moraes
Lula se diz consternado e transmite pesar às vítimas do Haiti
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 13:46
PAULO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que se sente consternado com as consequências do terremoto que atingiu o Haiti, principalmente em razão da presença de brasileiros que participam da força de paz da ONU no país.
Ele lamentou as mortes de haitianos e brasileiros e também de Zilda Arns, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, que estava no país. O tremor matou pelo menos 11 militares brasileiros.

Veja a íntegra da nota de Lula.

"Profundamente consternado com a tragédia que atingiu o Haiti, ao qual nos sentimos vinculados fraternalmente em razão da presença da Força de Paz liderada pelo Brasil, transmito meu pesar e minha total solidariedade ao povo haitiano e à família das vítimas brasileiras, civis e militares, em especial à de Zilda Arns, coordenadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa e conselheira do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Que Deus dê conforto a todos nesse momento doloroso."

(Texto de Carmen Munari)

Lula fala sobre tragédia em Angra do Reis (RJ)

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1189614-7823-LULA+FALA+SOBRE+TRAGEDIA+EM+ANGRA+DO+REIS+RJ,00.html

Enchentes são 'acúmulo de erros', diz Lula



Enchentes são 'acúmulo de erros', diz Lula
Para o presidente, não existe 'partido santo' e todos foram coniventes com ocupações irregulares de terra
Eugênia Lopes, Edna Simão


PRECAUÇÃO - Lula defendeu criação de carteira de investimentos para elaborar projetos contra cheiasBRASÍLIANa primeira referência às tragédias causadas pelas enchentes do início do ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pôs a culpa no "acúmulo de erros" cometidos no País ao longo de décadas e disse que não existe "partido santo, prefeito santo ou vereador santo", pois todos foram coniventes com ocupações irregulares de terra. Afirmou ainda que foi uma "irresponsabilidade" permitir construções em "lugares inadequados"."Não estou preocupado em saber de quem é a culpa. Todos os governos têm um pouco de responsabilidade porque fomos permitindo que a sociedade fosse se amontoando", disse Lula, ao se referir à tragédia de Angra dos Reis, onde morreram 52 pessoas vítimas das chuvas.Na solenidade que liberou R$ 3 bilhões para construção de casas em mais de dois mil municípios e para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Lula defendeu a criação de uma carteira de investimentos para elaborar projetos e tentar evitar as tragédias causadas pelas cheias. "Vamos trabalhar para sonhar que daqui a 30 anos não tenhamos mais tragédias como essas. Temos de apresentar uma grande proposta para ver se resolve o problema da drenagem dos municípios brasileiros." No discurso, o presidente argumentou que hoje já existem leis que proíbem a construção de casas em locais de risco, mas que as pessoas insistem em fazer ocupações em lugares irregulares. "Se um grupo de pessoas está indo morar em lugar inadequado, o prefeito não pode permitir." Ao falar sobre a tragédia das enchentes e os desabrigados pelas chuvas, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que o objetivo do programa Minha Casa Minha Vida é permitir que a população de baixa renda tenha acesso a moradia. Candidata do PT à Presidência da República, Dilma afirmou que, se os governos tivessem investido de "forma sistemática" em habitação, as tragédias provocadas pelas chuvas poderiam ter sido evitadas. "Durante mais de 25 anos, imensa parcela da população ficou sem direitos fundamentais. E isso levou a assentamentos precários, a morar em beiras de encostas", afirmou a ministra.


Jornal O Estado de S. Paulo de 13 de janeiro de 2010 (Há 166 dias sob censura)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Lula e Jobim discutem Programa Nacional de Direitos Humanos

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1189136-7823-LULA+E+JOBIM+DISCUTEM+PROGRAMA+NACIONAL+DE+DIREITOS+HUMANOS,00.html

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Arruda e a crise na maçonaria

Arruda e a crise na maçonaria
MOZARILDO e ARRUDAArruda está com o avental maçônico azul, ao lado do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) (foto de arquivo)

O governador se licencia da organização, mas não evita investigações sobre suposto favorecimento do governo do DF a uma fundação ligada aos maçons
MURILO RAMOS

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, pediu licença da maçonaria por temer ser expulso da organização.

No início de dezembro, ÉPOCA revelou que um processo para o seu desligamento da maçonaria havia sido aprovado e que Arruda seria julgado. Segundo fontes ouvidas pela revista, a expulsão era certa. O motivo do processo foi o aparecimento do governador em um vídeo recebendo R$ 50 mil do ex-secretário de Relações Institucionais do governo Durval Barbosa, no episódio que ficou conhecido como mensalão do DEM de Brasília. Arruda entrou com o pedido de “quite placet”, concedido pelas lojas maçônicas quando o maçom fica impossibilitado de frequentar as reuniões por qualquer motivo. O governador fez o pedido em caráter irrevogável. Com isso, a loja fica impedida de não conceder a licença. Do ponto de vista prático, com o “quite placet”, o processo de expulsão de Arruda da maçonaria fica parado. Se quiser voltar à instituição, Arruda terá de se submeter à aprovação dos maçons. Em dezembro, o governador pediu sua desfiliação do DEM com receio de ser defenestrado dos quadros do partido.
Arruda é mestre grau 3, terceiro de 33 níveis na hierarquia da maçonaria. No grau 1, o membro é chamado de aprendiz. No 2, de companheiro. A partir do 3, já é considerado um mestre.
Em entrevista a ÉPOCA, o maçom Walter Fachetti (deputado que integra a assembléia federal da organização), que protocolou pedido de investigação e expulsão de Arruda, diz que o governador nem deveria ter entrado para a maçonaria. Fachetti, ligado à loja maçônica 22 de agosto em Colatina (ES), afirma que Arruda frustrou a maçonaria por ter prometido fazer um governo voltado para o povo e, depois, ter se envolvido em um escândalo de grandes proporções (mensalão do DEM). Fachetti lança suspeitas também sobre a Fundação Gonçalves Lêdo, vinculada à maçonaria e que fechou convênios, sem licitação, de quase R$ 30 milhões com o Governo do Distrito Federal para gerir programas de informática. O Ministério Público do Distrito Federal já investiga o convênio da fundação com a Secretaria de Ciência e Tecnologia. Fachetti diz que, neste momento, não chama Arruda de “irmão”, que é o tratamento entre os maçons. Ele afirma não acreditar na volta de Arruda à maçonaria, mas não duvida que isso aconteça. "É possível que ele peça para voltar e um monte de bandido aprove a volta dele. Infelizmente a Ordem (maçônica) tem pecado muito."
A seguir, os principais trechos da entrevista do deputado federal maçônico Walter Fachetti a ÉPOCA.

ÉPOCA – O que é o “quite placet”, pedido pelo governador José Roberto Arruda?

É uma licença?Walter Fachetti – Quando o maçom se vê impossibilitado de frequentar as reuniões, por qualquer motivo, ele entra com o pedido. Isso está no regulamento geral da ordem, no artigo 43. O pedido dele, feito no dia 18 de dezembro, foi apresentado em caráter irrevogável. Não existe nenhum meio que a loja (maçônica) possa revogar. Ela concede simplesmente o “quite placet”.

ÉPOCA – E o governador explica o motivo da licença?

Fachetti – Na verdade eu nem soube por Brasília. Eu que fiz o pedido de abertura de processo contra o Arruda no dia 2 de dezembro. Protocolei no Espírito Santo. Fiz alguns contatos com alguns maçons para pedir apoio, já que eu sou deputado federal da maçonaria. Mas, quando se faz o pedido em caráter irrevogável, você não fala o porquê. Só fiquei sabendo da concessão pela internet.

ÉPOCA – O que acontece com o processo de expulsão dele da maçonaria?

Fachetti – Infelizmente o processo fica parado. Não tem como prosseguir. Isso porque ele não faz mais parte do corpo da loja. Ele continua sendo maçom. Quem entra na maçonaria nunca deixa de ser maçom. Eternamente vai ser maçom. Mas, com o “quite”, fica parado. Mas eu estou estudando algumas possibilidades. Eu recebi alguns documentos do grão-mestre de Brasília, Jafé Torres. Ele tem uma fundação em Brasília chamada Gonçalves Ledo. Houve algum desvio de recursos para ele.

ÉPOCA – Para o Jafé Torres?

Fachetti – Para a fundação. Ela teve um valor pequeno até 2003 em que dava para pagar só a contabilidade e alguns funcionários. No ano passado, teve uma receita exorbitante. Estou vendo a possibilidade de abertura de um processo de investigação da maçonaria sobre a fundação (Gonçalves Lêdo), que é mantida pela maçonaria, por alguns maçons que não deveriam estar no meio. O que prezamos acima de tudo é a liberdade, a fraternidade e a igualdade. Essa forma de maracutaia, a maçonaria, em nenhum momento, comunga com isso. Infelizmente não temos como separar muitas coisas. As pessoas começam a ficar marginais depois que entram na política. Geralmente no nosso meio não se encontra esse tipo de pessoa. Mas entraram. Por motivos alheios ao que a ordem preceitua. Por isso são coisas que temos de punir. E nós, como maçons que queremos a coisa certa, queremos fazer com que ela aconteça.

ÉPOCA – Seria possível alguma intervenção na loja maçônica do Distrito Federal em função das suspeições?

Fachetti – Só quem pode fazer isso é o Grande Oriente do Brasil, por meio do grão-mestre geral, que é Marcos José da Silva. Caso a loja toda esteja envolvida no processo com o próprio Arruda, que, neste momento, eu não chamo de Irmão. Para mim é um homem de avental que entrou na maçonaria por motivos particulares e alheios aos que a Ordem preceitua. Não deveria nunca ter entrado. Ou seja, ele atingiu o grau de mestre em um período curto, o que não deveria. Com ele foi diferente. Na história da maçonaria só teve um que conseguiu isso e também por interesse: foi Dom Pedro I.

ÉPOCA – Só o Dom Pedro I e o Arruda?

Fachetti – Só o Arruda e o Dom Pedro I. Parece que a assessoria do Arruda é quase toda de maçons da loja dele. Estou batendo contra essa situação porque não admito esse tipo de coisa. Se for para dar um jeitinho, a gente sai da maçonaria e fica do lado de fora, que já está uma bagunça. Dentro da Ordem, fazer uma coisa dessa, é lastimável.

ÉPOCA – O Arruda fica impossibilitado de frequentar as lojas maçônicas?

Fachetti – Sim. Ele fica impossibilitado de frequentar reunião ou evento fechado da maçonaria. Só eventos abertos, apesar de ser maçom. Esse período dura seis meses e pode ser revogado por mais seis meses. Depois disso, ele pode, com o “quite” na mão, pedir para voltar a qualquer loja, desde que a loja aceite. A mesma coisa que aconteceu lá no Senado. Ele burlou o painel, falou que não tinha sido ele e voltou uns meses depois como deputado e governador. E o povo aceitou.

ÉPOCA – Então o governador Arruda pode voltar à maçonaria?

Fachetti – Pode. Se a loja achar por bem, sim. Existem interesses e interesses. Normalmente não se pode fazer isso. Mas, infelizmente, a Ordem tem pecado muito.

ÉPOCA – Na prática, o que o governador Arruda ganha com o “Quite Placet”?

Fachetti – O processo de expulsão fica parado. Mas acho, particularmente, que ele não volta mais. O desgaste dele dentro da Ordem foi grande. Quando ele cometeu o ato ilícito do painel (violação) e ele já era maçom, o Arruda foi dentro de loja, pediu desculpa e falou que ia fazer um governo voltado para o povo. E a Ordem acreditou nisso. E agora aconteceu uma situação dessa (mensalão do DEM). Eu acho que ele já se queimou o suficiente. Não estou falando que não vai acontecer, que não vão aceitar ele. É possível que ele peça para voltar e um monte de bandido aprove a volta dele. Eu digo sempre o seguinte: se você anda com porco, você come lavagem. Se aprovarem a volta, é por outros motivos, que fogem ao que a Ordem preceitua. Eu vou estar em cima, batendo. Porque se depender de mim ele não volta. Somos mais de 300 mil maçons no Brasil. A minha palavra é pequenininha, mas vou tentar fazer.

ÉPOCA – A opinião na maçonaria é de que ele deve ser afastado?

Fachetti – As manifestações contra ele são muitas. Eu tenho de Recife, Fortaleza, São Paulo. Junto com o meu pedido, entrou uma série de pedidos de expulsão dele no judiciário maçônico. Não estou sozinho. A imprensa não sabe muito porque a maçonaria é uma coisa muito fechada. Eu gostaria que este movimento (Arruda) fosse aberto, que fosse escrachado. A maçonaria está vivendo muito do passado. Ajudou na proclamação da República, ajudou na Inconfidência mineira, na libertação dos escravos. O passado é museu. A maçonaria deveria mostrar o que faz hoje em prol dos menos favorecidos. Não existe mais motivo para vivermos escondidos do que jeito que nós vivemos. Ou seja, se tem um cidadão desse (Arruda), que faz uma coisa dessa, ele deveria ser achincalhado pela maçonaria primeiro. Sou partidário dessa ideia. A maçonaria não deveria ficar na escuridão neste momento.

ÉPOCA – Então o senhor não tem motivos para ficar no anonimato.

Fachetti – Não vejo motivos. Só se quiserem me expulsar. Mas não existe motivo para me expulsarem.


Revista ÉPOCA

Arruda pede desligamento da maçonaria



Pressionado, Arruda pede desligamento da maçonaria

Arruda foi admitido na maçonaria antes de renunciar ao cargo de senador, em 2001, para não ser cassado pelo envolvimento na violação do painel eletrônico do plenário do Senado.
- 6/1/2010 - 10h13
Acusado pelo Ministério Público de comandar o chamado Mensalão do DEM e pressionado por maçons de todo o País, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), pediu desligamento da Loja do Grande Oriente de Brasília, onde ocupava o grau de "mestre". A iniciativa do governador, a exemplo do que ocorreu no DEM, antecipou a decisão de seus colegas de expulsá-lo, por infringir um dos princípios básicos da ordem, que deve ser voltada para o resgate da dignidade das pessoas.Arruda foi admitido na maçonaria antes de renunciar ao cargo de senador, em 2001, para não ser cassado pelo envolvimento na violação do painel eletrônico do plenário do Senado, na votação da cassação do então senador Luiz Estevão, de Brasília. Na época, além de renunciar ao mandato, Arruda pediu desculpas à população por ter cedido à tentação de dar uma espiadinha nos votos secretos. Agora, com o escândalo revelado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, em que foi filmado recebendo um pacote de dinheiro das mãos do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, Arruda não foi perdoado pela maçonaria. No início de dezembro, cerca de 50 membros da Ordem se reuniram para discutir a situação do governador. Saiu dali a constatação que não havia outra alternativa, senão a de expulsá-lo o quanto antes. Arruda acabou poupado da expulsão graças aos maçons com os quais mantém mais proximidade. Eles conseguiram adiar a medida para depois do recesso da Loja Grande Oriente, iniciado no último dia 20. Restou ao governador pedir o desligamento, o que foi feito por carta. Procurada, a assessoria do governador limitou-se a dizer que ele agiu "para evitar constrangimentos".



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Diário do Comércio de 6 de janeiro de 2020 (Museu da Corrupção)


NOTA DA REDAÇÃO:

A Maçonaria é uma sociedade discreta, na qual homens livres e de bons costumes, denominando-se mutuamente de irmãos, cultuam a Liberdade, a Fraternidade e a Igualdade entre os homens. Seus princípios são a Tolerância, a Filantropia e a Justiça. Seu caráter secreto deveu-se a perseguições, a intolerância e a falta de liberdade demonstrada pelos regimes reinantes da época. Hoje, com os ventos democráticos, os Maçons preferem manter-se dentro de uma discreta situação, espalhando-se por todos os países do mundo.

"CARTA DA MAÇONARIA PAULISTA CONTRA A CORRUPÇÃO"

GRANDE ORIENTE DE SÃO PAULO FEDERADO AO GRANDE ORIENTE DO BRASIL

Nós, maçons jurisdicionados ao Grande Oriente de São Paulo, federado ao Grande Oriente do Brasil e da Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo, reunidos na noite do dia 20 de agosto de 2007 na Capital do Estado, nas dependências da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, em sessão solene comemorativa do Dia do Maçom, debatemos e aprovamos os seguintes princípios desta carta, denominada "Carta da Maçonaria Paulista Contra a Corrupção".

Tendo em vista que:

1. Vivemos no Brasil um cenário de exclusão social, onde, a miséria, o preconceito e a corrupção são os principais vilões do País emergente. A miséria leva à marginalidade milhões de pessoas; o preconceito afasta o indivíduo das relações sociais, marginalizando-o; e finalmente, a corrupção mostra a face mais sombria e tenebrosa dessa exclusão social, pois, como decorrência direta da malversação do dinheiro publico, faltam recursos para investimentos em educação, saúde, habitação, segurança e transportes. Assim, as populações mais pobres, que demandam a grande maioria dos serviços públicos, ficam prejudicadas, impedidas até mesmo de exercer o legitimo direito constitucional de ir e vir;

2. Combater a corrupção em todas as suas formas, é um dever maçônico e uma exigência da sociedade, acabando com essa epidemia social que subtrai do povo a possibilidade de uma vida digna e o pleno exercício da cidadania, negando a todos o direito à esperança de um futuro melhor;
E considerando que:

· A história pátria brasileira se confunde com a ação de vanguarda social exercida pela Maçonaria através de árduas lutas e conquistas nacionais, legando ao povo o desfrutar da verdadeira liberdade responsável;

· A permanente e relevante representatividade da Maçonaria na sociedade paulista e brasileira fazem-na uma força viva da sociedade;

· A constante preocupação da Maçonaria com as questões sociais regionais e nacionais, acompanhando a evolução humana e identificando um pensamento social cada vez mais exigente para o acolhimento de soluções sérias e definitivas, caracterizando um real interesse na valorização da família brasileira;

Concluímos que:

É necessário recuperar a moralidade publica e instituir a transparência como fio condutor das ações governamentais, criando através da Maçonaria sistemas de operação mais eficientes e permitindo melhor controle da gestão publica, viabilizando fiscalização efetiva e uma oitiva da vontade popular, incentivando a participação da sociedade nas questões de relevante interesse público. Portanto, as Potências Maçônicas que esta subscrevem decidem:

1. A Maçonaria atuará de maneira homogênea, exigindo dos maçons que se acham investidos em funções publicas, um comportamento ainda mais austero e compatível com o rigor da filosofia maçônica;

2. Estimular todos os maçons para que se transformem em focos permanentes de luta contra a corrupção na sociedade, trabalhando ainda para difundir essa luta junto a todos os cidadãos com quem convivem;

3. Acentuar em cada Loja Maçônica a importância da tomada de posição clara e firme que precisa ser tomada por ocasião das eleições municipais, estaduais e federais, orientando os maçons, e, sempre que possível, promovendo debates entre candidatos;

4. Criar no âmbito das Jurisdições maçônicas um Fórum permanente destinado à análise e discussão das origens, práticas e disseminação da corrupção, definindo e adotando ao final, medidas práticas e contundentes para extirpar todas as ramificações da corrupção;

5. Desenvolver um cadastro de restrição maçônica onde constem todos os nomes de pessoas envolvidas nas condenáveis práticas de corrupção e improbidade administrativa, mantendo tais indivíduos vigiados e afastados de qualquer contato maçônico, e sempre que possível, mantê-los fora do serviço publico;

6. Promover a construção de uma sociedade revigorada em seus princípios morais e sociais, baseando-nos para tanto na trilogia Liberdade, Igualdade e Fraternidade;

7. Para que sejam concretizadas as decisões anteriormente expostas, as Potências Maçônicas signatárias desta comprometem-se a manter uma comunicação comum e homogênea entre todos os maçons jurisdicionados, conscientizando-os da gravidade do problema e também da importância da participação individual para viabilizar as soluções propostas, a fim de obter um congraçamento de trabalho produtivo e sempre sob os auspícios do Grande Arquiteto do Universo.

São Paulo, 20 de Agosto de 2007.